Do que as mulheres falam…

Um mundo feito de informação faz bem. E as mulheres parecem saber disso faz tempo. Há muitos e muitos anos, desde os tempos em que os primeiros nômades resolveram se assentar e criar raízes, as mulheres já sabiam do poder da troca de informações.

Dúvidas sobre como tratar problemas íntimos, me pergunto, resolveriam elas também na base da conversa, da troca de dicas e experiências?

A não ser que me desminta uma estudiosa emérita e suas evidências incontestáveis – ou inalcançáveis para os seres “normais” – acredito que mulheres sempre trocaram experiências para resolver angústias e problemas de foro íntimo. Claro que nem sempre o sexo ou a coceira vaginal foram vistos como problema, muito menos como problema íntimo. A vida era bem menos íntima, e seguramente a era burguesa trouxe uma privada (literalmente) e o apartamento do corpo, das “partes”, do sexo.

Mas mesmo estando os problemas aos olhos de todos (no sentido de não serem íntimos) e evidentes, eles não deixam de coçar. E a forma de resolver os incômodos era baseada na troca de informações e experiências.

Em tempo: como resolviam uma simples coceira? E a febre da cria? Parece incrível pensar que um fungo tão microscópico possa fazer famílias e mais famílias na vagina de mulheres desde os mais remotos tempos. E que os vírus, evidentemente diferentes dos de hoje, também reproduziam-se entre os homens e mulheres, crianças e adultos.

Uma troca. Eu te dou o que sei e você me empresta o que sabe. O fato é que muitas mulheres morreram das formas mais bobas que podemos imaginar. Uma infecção urinária e está morta. Uma falta de higiene e está morta. Isso sem falar dos partos e da violência em geral. Coisas que ainda nos ofuscam. 

Enfim, o papo aqui é feminino. E fala-se muito. Às vezes elas não conversam para resolver coisas. Às vezes conversam simplesmente porque ajuda. Falar, sabem as mulheres, é arma de saúde mental e, por que não?, ginecológica. 

Bem-vindas. Os homens, claro, bem-vindos também. Mas acho que eles pensariam que a maioria das coisas ditas aqui não leva a lugar nenhum… Talvez estejam certos. Mas apenas racionalmente. É que as mulheres não querem – ao menos não sempre – chegar em algum lugar. Apenas conversar, trocar e tentar consertar espontaneamente. Como faziam as primeiras mulheres… Aquelas que pensaram em se fixar, plantar e amar. Simplesmente viver.

Gisela Pop

Sobre mulherescalmas

Mulher. Por que não dividir informações que aprendi ao longo da vida sobre como cuidar de mim e da minha saúde?
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